INCÊNDIOS FLORESTAIS
Incêndios florestais figuram entre as mais sérias ameaças à biodiversidade, sobretudo quando afetam ecossistemas que não são adaptados ao fogo, provocando degradação da vegetação nativa, morte de animais silvestres, diminuição da fertilidade do solo, além de propiciarem redução da qualidade e quantidade de recursos hídricos. Estes eventos são considerados importantes fontes de emissões de gases de efeito estufa (GEE) acentuando o fenômeno das mudanças climáticas. O fogo também agrava a poluição do ar e pode afetar a saúde da população.
Em face de seus impactos negativos, incêndio florestal é categorizado como desastre, nos termos da Portaria Nº 260/2022 do Ministério do Desenvolvimento Regional. A Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE) considera incêndio florestal como desastre natural, do grupo climatológico e do subgrupo de seca. Sob esta ótica, a ação frente à problemática requer uma atuação preventiva voltada à redução dos riscos, além do desenvolvimento contínuo de estratégias de preparação, resposta e recuperação do cenário afetado pelo fogo, inclusive com a possibilidade de decretação de situação de emergência ou estado de calamidade pública pelos diferentes níveis de governo.
No estado de São Paulo, os incêndios florestais são frequentes nas áreas naturais protegidas sob tutela estadual, além de incidirem também em áreas cultivadas e terras particulares, provocando impactos ambientais negativos aos biomas e ecossistemas presentes no território paulista. Estudos apontam que a maior parte dos incêndios florestais são decorrentes de ação antrópica (causados pelo homem de maneira acidental ou intencional). O descuido humano ou a negligência são fatores que aumentam a probabilidade de ocorrências de eventos de fogo sem controle. No estado de São Paulo a ocorrência de incêndios florestais é mais constante entre junho e outubro, sendo agosto e setembro os meses com maior número de eventos.

GUIA DE ORIENTAÇÕES: INCÊNDIOS FLORESTAIS
O guia reúne orientações práticas para o dia a dia no campo, como manutenção de aceiros, monitoramento de áreas de risco, acompanhamento das condições climáticas e articulação com vizinhos e órgãos públicos, além de instruções claras sobre como agir durante e após ocorrências, incluindo o acionamento das autoridades e o registro de danos. O conteúdo também reforça comportamentos essenciais para evitar focos de incêndio, como não utilizar fogo para limpeza de áreas, evitar fogueiras próximas à vegetação e denunciar práticas ilegais, como a soltura de balões.
Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais
O estado de São Paulo conta com o Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, criado pela Lei estadual nº 10.547, de 02 de maio de 2000 e regulamentado pelo Decreto estadual nº 56.571, 22 de dezembro de 2010. O Sistema, que no período de junho de 2011 a maio de 2023 foi chamado de Operação Corta-Fogo, recebeu um novo nome e a partir de junho de 2023 passou a ser denominado de Operação São Paulo Sem Fogo. Dentre os objetivos da Operação, destacam-se os seguintes:
- Diminuir os focos de incêndio no estado;
- Reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) oriundas das queimadas;
- Proteger áreas com cobertura vegetal contra incêndios;
- Erradicar a prática irregular do uso do fogo, respeitando o disposto no Decreto Estadual nº 56.571/2010;
- Fomentar o desenvolvimento de alternativas ao uso do fogo para o manejo agrícola, pastoril e florestal.

A Operação São Paulo Sem Fogo constitui uma ação integrada do Governo do Estado de São Paulo, reunindo órgãos estaduais com atribuições nas áreas ambiental, de infraestrutura, segurança pública, saúde, agricultura e defesa civil. Compõem a operação as Secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por intermédio de sua Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental (DPFA), a Secretaria da Segurança Pública, a Secretaria da Saúde, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento e a Defesa Civil do Estado de São Paulo.
Integram ainda a iniciativa o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Fundação Florestal (FF).
A articulação interinstitucional é realizada por meio de um comitê executivo, instância colegiada responsável por definir as ações necessárias ao cumprimento dos princípios e diretrizes da política estadual de prevenção e combate a incêndios florestais.
Para cumprir seus objetivos, a Operação São Paulo Sem Fogo desenvolve uma série de atividades de forma permanente ao longo do ano, sendo dividida em fases (verde, amarela e vermelha) de acordo com as necessidades e priorizações que cada período exige:
- Fase verde (janeiro a março; novembro e dezembro): é dividida em duas etapas. A primeira etapa, entre os meses de janeiro e março, é dedicada às atividades de planejamento e início das medidas de prevenção e preparação. No final do ano (meses de novembro e dezembro) é realizada uma avaliação da temporada de incêndios e são iniciados os preparativos para o ano seguinte.
- Fase amarela (abril e maio): requer foco nas ações preventivas e de preparação para enfrentar os incêndios florestais. Durante os meses de abril e maio, as atividades de treinamento, capacitação, elaboração e revisão de planos preventivos e de contingência ganham prioridade.
- Fase vermelha (junho a outubro): entre os meses de junho e outubro é ativada a fase vermelha da Operação. As ações de combate ao fogo e de fiscalização repressiva são priorizadas e as estratégias de comunicação e campanhas preventivas ganham reforço.
| FASE VERDE | Janeiro a Março
Planejamento das ações da temporada |
| FASE AMARELA | Abril e Maio
Intensificação das ações preventivas e de preparação |
| FASE VERMELHA | Junho a Outubro
Maior atenção para as ações de resposta |
| FASE VERDE | Novembro e Dezembro
Avaliação da temporada |
PROGRAMAS E AÇÕES
A Operação São Paulo Sem Fogo é composta por quatro programas integrados e complementares: Prevenção, Controle, Monitoramento e Combate.
Programa de Prevenção: atua nas potenciais causas e riscos de incêndios, buscando limitar sua ocorrência e antecipar a tomada de decisões.
Programa de Controle: tem o objetivo de disciplinar o emprego do fogo, por meio da queima controlada, bem como executar ações de fiscalização das licenças emitidas, de queimadas irregulares e de incêndios florestais.
Programa de Monitoramento: tem o objetivo de acompanhar diariamente os focos de incêndios e queimadas, bem como as condições climáticas que favoreçam o aumento do risco de fogo, emitir alertas e fornecer bases de dados como subsídio aos órgãos participantes da Operação SP Sem Fogo.
Programa de Combate: abrange as ações para impedir que o fogo se alastra, quando identificada ocorrência de incêndio, e envolve a integração de todas as instituições da Operação: Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, brigadas municipais e das Unidades de Conservação e Áreas Protegidas, além de parceiros.


Legenda: Ações de treinamento e combate a incêndios florestais. Crédito: Portal do Governo do Estado de São Paulo.
Plano Anual de Trabalho
A Operação São Paulo Sem Fogo conta com um instrumento de referência que estabelece as ações prioritárias desenvolvidas pelas instituições estaduais que compõe o Comitê Executivo, denominado de Plano Anual de Trabalho. O documento permite que as instituições atuem em sinergia, numa perspectiva de integração e complementariedade das ações e atividades desempenhadas. O Plano fomenta que as ações planejadas sejam monitoradas e os resultados pretendidos constantemente avaliados, o que possibilita uma tomada de decisão mais assertiva.
O funcionamento do Plano Anual de Trabalho está baseado em quatro etapas:
1) planejamento e definição das ações a serem realizadas no ano;
2) execução das ações planejadas
3) verificação dos resultados obtidos;
4) reavaliação das ações.
| Ano 2026 |
| Protocolo de Governança – 2026 |
Polos Regionais
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, por intermédio da Fundação Florestal mantém em funcionamento os Polos Regionais da Operação São Paulo Sem Fogo nas Unidades de Conservação e demais Áreas Protegidas do Estado de São Paulo. Os Polos visam aumentar a capacidade de redução dos riscos e ampliar a resposta aos incêndios florestais no interior ou entorno dessas áreas. As unidades inseridas nos Polos poderão compartilhar seus equipamentos, veículos e recursos humanos para assegurar a realização de ações preventivas, de preparo e combate ao fogo. Atualmente, estão em funcionamento sete Polos Regionais, totalizando 73 Unidades de Conservação e demais Áreas Naturais Protegidas Estaduais envolvidas.
| Polos Regionais da Operação São Paulo Sem Fogo | ||||||
| Região de Ribeirão Preto | Região Metropolitana de São Paulo | Região de Itapetininga | Central | Mantiqueira / Santa Virgínia | Assis / Marília / Bauru | Aguapeí / Peixe / Morro do Diabo |
Clique aqui para acessar o mapa do Polos.

Legenda: Ações preventivas e de combate a incêndios florestais nos Polos Regionais. Crédito: Fundação Florestal
Polos Regionais
PPMCI
O Governo de SP criou o Programa de Prevenção, Preparação, Monitoramento e Combate a Incêndios em Rodovias (PPMCI). O objetivo é reforçar a proteção contra o fogo nas estradas estaduais concedidas ou administradas pelo DER. O programa foi instituído pela portaria conjunta SPI/Semil/Arteso nº 4, de 2026. Quem coordena as ações é a Comissão de Prevenção, Preparação e Combate a Incêndios em Rodovias (CPPCIR), em parceria com órgãos estaduais e concessionárias.
As prioridades seguem a Operação São Paulo Sem Fogo e o Mapa das Áreas Críticas para incêndios florestais em rodovias. Os mapas digitais estão disponíveis no DataGeo, a plataforma de dados espaciais ambientais do estado.

Painéis Geoestatísticos dos Incêndios Florestais em Unidades de Conservação e Áreas Protegidas
Painel Geoestatístico de Autos de Infração Ambiental de Fogo e Balões
| Painel Geoestatístico de Autos de Infração Ambiental de Fogo e Balões |
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| Painel Fogo e Balões |
Monitoramento
Ferramentas recomendadas pela Operação São Paulo Sem Fogo para acompanhamento em tempo real do risco de fogo, focos de queimadas detectados por satélite e outras informações relevantes para a gestão dos incêndios florestais:
| Focos de Queimadas e Incêndios Florestais | |
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| INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais | CENSIPAM – Painel do Fogo |
| Área Queimada | |
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| INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais | MapBiomas – Monitor do Fogo |
| Qualidade do Ar | |
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| CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo | INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais |
| Descargas Elétricas | |
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| INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais | RINDAT – Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas |
| Parâmetros Meteorológicos | |
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| CIIAGRO – Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas | INMET – Instituto Nacional de Meteorologia |
| Previsão do Tempo | ||
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| CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos | INMET – Instituto Nacional de Meteorologia | IPMET/Unesp – Instituto de Pesquisas Meteorológicas |
| Previsão Climática | |
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| CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos | INMET – Instituto Nacional de Meteorologia |
Conforme disposto no Decreto Estadual nº 56.571/2010 (Art. 14, inciso V), os municípios são considerados órgãos locais do Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, com competência para desempenhar ações de prevenção, controle, fiscalização e combate aos incêndios em áreas com cobertura vegetal.
Visando integrar os órgãos locais com as instituições estaduais, foi instituído o Termo de Adesão de Prefeituras. Com essa adesão, será possível uma convergência entre as políticas públicas desenvolvidas pelo Estado e pelos municípios. Trata-se de um compromisso voluntário da Prefeitura Municipal de inserir no planejamento e gestão ambiental do território sob sua jurisdição, ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
Ações a serem desenvolvidas pelo município
- Criação, formalização e institucionalização de uma brigada composta por servidores municipais.
- Participação em treinamentos e capacitações de combate ao fogo em coberturas vegetais ministradas pelo Corpo de Bombeiros.
- Publicação e aplicação de legislação disciplinando queimadas urbanas, inclusive com fiscalização efetiva.
- Mapeamento das áreas de risco de incêndios florestais (cobertura Vegetal, reflorestamento, cana-de-açúcar, rodovias, ferrovias, unidades de conservação).
- Ações de prevenção (campanhas educativas, reuniões com a sociedade civil, sindicatos e proprietários rurais, formação de multiplicadores, dentre outras).
Benefícios
- Reconhecimento do Governo Estadual.
- Capacitações fornecidas pelo Corpo de Bombeiros e Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil.
- Pontuação no Programa Município Verde Azul.
- Assessoria técnica na temática de queimadas e incêndios florestais.
- Em casos excepcionais, subsídios financeiros para cumprimento dos objetivos da Operação São Paulo Sem Fogo, mediante a celebração de Convênios a ser oportunamente celebrado.
Como aderir
A participação dos municípios na Operação São Paulo Sem Fogo ocorre mediante a assinatura do Termo de Adesão pelo Prefeito(a) Municipal e apresentação do Questionário de Diagnóstico.
Após preenchidos e assinados, ambos documentos deverão ser enviados para o e-mail da Coordenação da Operação São Paulo Sem Fogo: spsemfogo.ambiente@sp.gov.br
IMPORTANTE: A adesão deverá ser renovada após cada troca de gestão nas prefeituras. O questionário de diagnóstico deverá ser enviado no momento da adesão e reenviado anualmente para fins de atualização.
Adote boas práticas no seu dia a dia e reduza os riscos de queimadas e incêndios florestais
- Não usar o fogo como agente de limpeza e para queimar resíduos de poda e lixo.
- Evite acender fogueiras e velas próximo de matas.
- Cigarros e fósforos devem ser apagados e descartados em locais apropriados.
- A soltura de balões pode provocar acidentes e incêndios. Soltar balões é crime ambiental.
- Use o fogo somente com autorização da CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo.
Colabore na divulgação de medidas preventivas contra incêndios florestais
- Sensibilize seus vizinhos e a comunidade do entorno sobre os problemas do fogo sem controle e as medidas para sua prevenção.
- Compartilhe nossas informações em suas redes de contatos.
Atue como voluntário
- Participe de atividades de prevenção e combate a incêndios florestais nas Unidade de Conservação paulistas. Faça parte do Programa de Voluntariado da Fundação Florestal.
Denuncie atividades irregulares
Para denunciar a prática irregular de soltura ou fabricação de balões, queimadas irregulares e incêndios florestais, utilize os seguintes canais:
- Pelo celular: Aplicativo Denúncia Ambiente, disponível para Android e IOS.
- Pelo site: http://denuncia.sigam.sp.gov.br/
- Por telefone: Contate a unidade do Policiamento Ambiental mais próxima. Consulte os telefones aqui.
Materiais
Links úteis
- Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo
- Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil
- Polícia Militar Ambiental
- Departamento de Estradas de Rodagem – DER
- Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo – Fundação Florestal
- Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – Cetesb
- Secretaria de Agricultura e Abastecimento – SAA
- Secretaria da Segurança Pública – SSP
Dicionário ambiental
CONTATO
Coordenação da Operação São Paulo Sem Fogo
Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística – Semil
Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental – DPFA
E-mail: spsemfogo.ambiente@sp.gov.br













































